O item que falta é sempre o mais barato
Ninguém para uma obra porque acabou o metalon. Para porque acabou o disco de corte, porque o arame do MIG terminou no meio da solda ou porque a dobradiça que veio não é a certa para o peso do portão.
O material estrutural todo mundo lembra de comprar. O acessório é que some do orçamento e depois faz a oficina fechar no meio da tarde. Esta lista é o que vale manter em estoque e, mais importante, como escolher cada item sem errar.
Consumíveis de solda
Eletrodo revestido
Três tipos resolvem quase tudo em serralheria:
- E6013: o pau para toda obra. Abre arco fácil, aceita chapa fina e média, deixa acabamento limpo e perdoa mão inexperiente. É o que mais gira na oficina.
- E7018: maior resistência mecânica, para estrutura e peça que recebe carga. Exige eletrodo seco, guardado em estufa ou embalagem fechada, senão dá porosidade.
- E6011: alta penetração, bom em material sujo, enferrujado ou pintado, e funciona em máquina de corrente alternada.
Sobre a bitola, a regra é simples: o diâmetro do eletrodo não deve passar da espessura da peça mais fina. Chapa de 3 mm pede eletrodo de 2,50 mm. Passar disso queima o material.
Para a corrente, um ponto de partida é de 30 a 40 ampères por milímetro de eletrodo. Um 2,50 mm trabalha em torno de 70 a 100 A, e um 3,25 mm entre 100 e 140 A. Dali tu ajusta pelo som e pelo cordão.

Arame MIG
Para aço carbono, o arame MIG padrão é o ER70S-6. As bitolas comuns são 0,8, 0,9, 1,0 e 1,2 mm, e a de 0,8 mm cobre a maior parte do serviço de serralheria.
Sobre o gás, tem escolha a fazer:
- CO2 puro: mais barato e penetra bem, mas espirra bastante e dá mais trabalho de limpeza depois.
- Mistura de argônio com CO2: cordão mais bonito, quase sem respingo, e menos retrabalho. Custa mais e compensa em peça aparente.
- Arame tubular: dispensa gás, o que salva o serviço em obra externa com vento. Fuma bastante e exige limpeza da escória.

Abrasivos: disco de corte e de desbaste
É o consumível que mais some da bancada e o que mais gera acidente quando é escolhido errado.
- Disco de corte fino, de 1,0 a 1,6 mm: corta rápido, aquece menos e deixa pouca rebarba. Ideal para tubo, perfil e chapa fina. Dura menos.
- Disco de corte de 2,0 a 3,0 mm: aguenta mais, indicado para barra maciça e material grosso.
- Disco de desbaste, em torno de 6,4 mm: para rebaixar solda e acertar canto. Nunca use disco de corte para desbastar, ele quebra de lado.
- Disco flap: desbasta e lixa ao mesmo tempo, e é o que dá acabamento em peça aparente.
- Escova de aço: para limpar carepa e escória antes de pintar.
Dois cuidados de segurança que quase ninguém confere:
- A rotação máxima do disco precisa ser igual ou maior que a rotação da máquina. Está impresso na etiqueta do disco.
- Disco abrasivo tem validade, normalmente de dois a três anos. Disco velho perde a resina e estilhaça em uso. Se achou uma caixa esquecida na prateleira, confere a data antes.

Acabamento: o erro da tinta fundo
Este merece atenção porque é o engano mais comum da serralheria, e só aparece meses depois.
Aço comum e aço galvanizado pedem fundos diferentes. O zarcão tradicional adere bem no aço preto, mas não gruda direito na superfície lisa do zinco. Passa, seca, parece perfeito, e seis meses depois começa a descascar em placa.
- Em aço comum: zarcão ou fundo anticorrosivo para serralheiro, aplicado sobre a superfície limpa e sem carepa.
- Em aço galvanizado: fundo específico para galvanizados, do tipo wash primer. Ou então lixa levemente a peça para criar aderência antes do fundo comum.
Se a peça é galvanizada e vai ficar exposta, na maioria das vezes nem precisa pintar. O guia sobre o que é aço galvanizado explica quando a pintura é dispensável.
Ferragem: dobradiça, fechadura e trinco
Ferragem subdimensionada é o que mais volta como reclamação. Portão pesado com dobradiça leve começa a raspar no chão em poucos meses.
- Dobradiça: escolhe pelo peso da folha, não pelo tamanho dela. Portão de garagem pede dobradiça reforçada com pino de aço e, acima de 100 kg, três dobradiças em vez de duas.
- Fechadura e cadeado: a linha de fechaduras e cadeados Stam cobre do portão residencial ao industrial.
- Trinco, ferrolho e batedor: itens de poucos reais que definem se o portão fecha bem ou fica batendo com o vento.
- Chumbador e parafuso: para fixar batente e suporte na alvenaria.

Rodas, ponteiras e acessórios de movimento
- Rodas fixas e giratórias: para carrinho, bancada móvel e portão. Confere sempre a capacidade de carga por roda e multiplica pelo número de rodas.
- Ponteiras plásticas: fecham a ponta do tubo. Item barato que evita duas coisas: água entrando e enferrujando o perfil por dentro, e ponta cortante exposta.
- Roldana e trilho: para portão de correr. O guia do kit contrapeso para portão basculante tem o cálculo de carga do sistema.
Amarração e fixação provisória
O arame recozido é o item que ninguém lembra até precisar. Serve para posicionar peça antes de soldar, prender armação e amarrar carga no transporte. Vale sempre ter um rolo na bancada. O post sobre arame recozido detalha as bitolas.
Medição e marcação
Serviço torto quase sempre começa em medição ruim, não em solda ruim.
- Trena de 5 metros e uma de 8 para peça grande
- Esquadro de 12 polegadas e esquadro magnético para montagem
- Nível de bolha e, se der, nível a laser
- Paquímetro, para conferir espessura de parede de tubo e bitola de perfil
- Riscador de metal e giz de cera, porque caneta some no calor do corte
A linha de ferramentas manuais cobre a parte de medição e montagem.
EPI, que não é acessório opcional
- Máscara de solda automática: paga o custo em conforto e em qualidade do cordão, porque tu enxerga o ponto antes de abrir o arco.
- Luva de raspa para soldar e luva de vaqueta para manuseio.
- Óculos de proteção, mesmo por baixo da máscara, para o momento de picar a escória.
- Avental de raspa e mangote.
- Protetor auricular, porque esmerilhadeira passa fácil de 100 decibéis.
- Calçado de segurança com biqueira. Barra de 6 metros caindo no pé não perdoa.
A lista de estoque mínimo da oficina
Se tu quer uma referência rápida do que nunca deve zerar:
- 1 caixa de eletrodo E6013 de 2,50 mm e 1 de 3,25 mm
- 1 rolo de arame MIG 0,8 mm, se tu solda com MIG
- 10 discos de corte de 4.1/2 polegadas e 2 de desbaste
- 2 discos flap
- 1 galão de tinta fundo e 1 de esmalte na cor mais pedida
- 1 rolo de arame recozido
- 1 jogo de dobradiças reforçadas
- Ponteiras nas bitolas de tubo que tu mais usa
- Parafusos e chumbadores nas medidas comuns
Vale conferir essa lista uma vez por semana, sempre no mesmo dia. É mais barato repor junto com o pedido de material do que fazer viagem só para buscar um disco.
Conclusão
Acessório é o que menos pesa no orçamento e o que mais atrasa quando falta. Escolhe eletrodo pela espessura da peça, disco pela aplicação e sempre conferindo a rotação, fundo de acordo com o tipo de aço, e ferragem pelo peso real da folha. E mantém um estoque mínimo em vez de comprar item a item quando acaba.
Quando for montar o pedido do próximo serviço, vale rodar antes o cálculo de material do portão e já somar os acessórios na mesma lista.
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